O argumento que fundamenta a detecção de anomalias via Machine Learning (ML) é a incapacidade humana de monitorar, simultaneamente, milhões de transações e eventos logísticos em busca de desvios sutis. Na logística convencional, a perda (por roubo, desvio, avaria ou erro administrativo) só é percebida no inventário cíclico ou no final do mês.
O ML altera esse paradigma ao estabelecer um padrão de "comportamento normal" e disparar alertas no milissegundo em que algo foge ao esperado.A primeira linha de raciocínio foca no combate ao roubo e desvio de carga. Algoritmos de aprendizado supervisionado e não supervisionado analisam dados de GPS e telemetria para identificar comportamentos atípicos: uma parada não programada em um local de alto risco, um desvio de rota de apenas alguns metros ou a abertura de portas em horários inconsistentes. O argumento é de intervenção imediata: enquanto o monitoramento humano pode se distrair com centenas de telas, o ML nunca dorme e não sofre de fadiga de atenção. Ele isola a anomalia e permite que a segurança atue antes que a carga desapareça do radar.
Em segundo lugar, o ML é a ferramenta definitiva contra o erro operacional e o "inventário fantasma". Muitas perdas logísticas não são frutos de má-fé, mas de falhas sistêmicas, como um SKU lido incorretamente ou um palete alocado em um endereço fantasma. A detecção de anomalias cruza dados de vendas, estoque e movimentação física. Se a taxa de saída de um produto cai drasticamente enquanto o estoque sistêmico permanece alto, o ML aponta a anomalia: provavelmente o produto está perdido dentro do próprio CD ou está vencido. O argumento é de precisão de inventário: o sistema limpa as inconsistências de dados antes que elas virem prejuízo contábil.
Além disso, o ML atua na prevenção de perdas em perecíveis. Ao analisar correlações entre temperatura ambiente, tempo de trânsito e histórico de validade, o sistema pode identificar lotes que, embora dentro do prazo, apresentam uma curva de degradação anômala. Isso permite que a empresa priorize a saída desses itens (logística FEFO - First Expired, First Out), reduzindo o desperdício alimentar ou farmacêutico.
Concluindo, a prevenção de perdas moderna não se faz mais com auditorias posteriores, mas com vigilância algorítmica constante. O Machine Learning transforma a segurança e a conformidade em uma ciência preditiva. Empresas que não utilizam detecção de anomalias estão, essencialmente, aceitando uma taxa de "encolhimento" de estoque que a concorrência tecnologicamente assistida já eliminou, tornando-se mais pesadas e menos rentáveis.
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