Na logística farmacêutica e de saúde, o erro não resulta apenas em prejuízo financeiro; ele resulta em perda de eficácia terapêutica e risco de morte. O argumento central aqui é que a logística de frio tradicional — baseada em termômetros manuais e registros de "chegada e saída" — é arcaica e perigosa. A Internet das Coisas Médicas (IoMT) introduz uma vigilância ininterrupta, transformando cada caixa de vacina ou órgão em um objeto inteligente capaz de clamar por intervenção antes que o dano ocorra.
A primeira linha de argumentação reside na transição do monitoramento passivo para o monitoramento ativo. No modelo convencional, o gestor só descobre que uma carga de insulina foi comprometida quando ela chega ao destino e o sensor físico indica uma variação de temperatura. É uma "autópsia" logística. Com a IoMT, sensores conectados via redes de baixo consumo (como 5G ou LoRaWAN) transmitem dados em tempo real. Se uma câmara frigorífica em um caminhão oscila 1°C além do limite, o sistema dispara um alerta preditivo. O argumento é de prevenção absoluta: a tecnologia permite intervir no trajeto, trocando o veículo ou ajustando o sistema de refrigeração remotamente, salvando cargas que valem milhões de dólares e são vitais para pacientes.
Em segundo lugar, a IoMT garante a integridade inquestionável da "Cadeia de Custódia". Produtos biológicos e medicamentos de alta complexidade exigem um controle rigoroso não apenas de temperatura, mas de umidade, vibração e luminosidade. Sensores de IoMT registram cada uma dessas variáveis de forma contínua, criando um rastro digital inviolável. O argumento aqui é de compliance e confiança: em um setor onde a regulamentação é ferrenha (como as normas da ANVISA ou FDA), possuir dados granulares de todo o ciclo de vida do transporte é a única forma de garantir a segurança jurídica da operação e a segurança biológica do paciente.
Além disso, a IoMT permite a otimização do capital parado. Medicamentos caros com prazos de validade curtos podem ser monitorados de forma que o sistema priorize a entrega e o uso daqueles que sofreram pequenas variações de temperatura (dentro dos limites aceitáveis), mas que precisam ser consumidos mais rapidamente. Isso reduz o desperdício em um setor onde as perdas logísticas são historicamente altas.
Concluindo, a IoMT na logística de frio não é um acessório tecnológico, mas o novo padrão de ouro ético. Empresas que não investem em visibilidade total sobre produtos sensíveis estão operando sob uma negligência sistêmica. Na logística da saúde, a informação em tempo real é o que separa o sucesso clínico do desastre humanitário.
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